A FRAUDE DE US$ 1,2 BILHÕES NA TOSHIBA

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A FRAUDE DE US$ 1,2 BILHÕES NA TOSHIBA E A MORTALIDADE NAS EMPRESAS FAMILIARES BRASILEIRAS NA SUCESSÃO ENTRE GERAÇÕES

Nesta semana o mundo dos negócios ficou pasmado com o noticiário sobre a conclusão do relatório de uma investigação independente na Toshiba japonesa. Desde 2008 diversos executivos da empresa – incluindo o atual presidente e dois antecessores – em conluio com membros do conselho de administração fraudaram os demonstrativos contábeis inflando o lucro em US$ 1,2 Bilhões.

Talvez você esteja se perguntando: qual a relação entre a fraude contábil na Toshiba e a mortalidade nas empresas familiares brasileiras na sucessão entre gerações?

Explico.

É notória a vocação japonesa para a cooperação, criando um ambiente corporativo de maior equidade e participação dos funcionários na solução dos problemas. É notório o foco maior no longo prazo aceitando sacrificar resultados imediatos em prol de uma colheita consistente ao longo dos anos. É notória a atitude de buscar melhoria contínua, popularizada mundialmente através do kaizen, dos programas de qualidade e do just-in-time – para falar apenas de algumas ferramentas em que tornaram-se referência.

Todas essas evidências não explicam a fraude, ao contrário, tornam o fato em si mais surpreendente. Imersa numa cultura com pilares fortemente estabelecidos, uma empresa japonesa,com 140 anos de vida, se deixou envolver pelo “caminho fácil” do imediatismo, manipulando demonstrativos para mostrar um cenário de desempenho melhor do que a realidade conta. Contrariou a cultura de melhoria contínua focada no longo prazo e no mérito do time. Incrível, não?

Por outro lado é notória a vocação brasileira para o empreendedorismo, a criatividade e a capacidade de persistir num ambiente de negócios amplamente desfavorável. Faltam recursos acessíveis para investimento, a burocracia torna os projetos caros e lentos, o baixo nível de educação impacta aqualidade e a produtividade da mão de obra, sem falar nos impostos, nos custos trabalhistas, na infra-estrutura entre outros temas.

Todas essas evidências atestam o mérito incontestável dos milhares de empreendedores brasileiros que fundaram seus negócios e após décadas os transformaram em empresas de porte respeitável. Porém torna surpreendente o fato que aproximadamente 70% destas empresas bem sucedidas sucumbem à sucessão entre gerações.

Seria o desafio da sucessão maior que o desafio do empreendedorismo em condições ambientais tão adversas como as brasileiras? Não creio!

Seria esperado que o comando de uma empresa japonesa fosse seduzido pelo canto da sereia das práticas ilegais, egocêntricas e artificiais aplicadas na Toshiba? Não creio!

Essas situações ensinam.

É preciso resistir a tentação de acreditar que os sucessos do passado podem nos tornar intocáveis e imunes.

É a humildade de reconhecer que o maior desafio de nossa vida é sempre o próximo e a disposição de buscar meios, métodos, pessoas, tecnologias e conhecimentos que atribuem à nossa organização os méritos e competências exigidos na conquista da glória e do sucesso sustentável. Pode demorar mais tempo e consumir mais recursos porém não tenho dúvida que é igualmente mais consistente e recompensador.

Forte abraço,

Marcelo Andrade.

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